De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA) cerca de 15 mil satélites artificiais, mais 50 mil detritos (com mais 10 cm), além de 140 milhões de fragmentos orbitam nosso planeta. Esses detritos são devidos principalmente a colisões entre satélites que estão posicionados entre 500 quilômetros (km) e 35 mil km da superfície terrestre. Eles se deslocam com velocidades da ordem de 30 mil km/hora e podem causar outras colisões, gerando mais detritos espaciais aumentando o risco de Síndrome de Kessler, isto é, um ciclo de colisões em cascata. Portanto, o rastreamento de detritos espaciais é cada vez mais necessário.
Não exista um órgão que monitore adequadamente essas colisões, mas alguns países elaboram banco de dados sobre objetos espaciais. Banco de dados como Two-line Elements (TLE) e o Special Pertubation (SP), administrados pela Força Espacial dos Estados Unidos, bem como o banco de dados da Agência Espacial Europeia (ESA) permitem que operadoras de satélites acessem informações.
Os Estados Unidos, através da U.S. Space Surveillance Network (SSN) e do Office of Space Commerce, possui o banco de dados de tráfego espacial mais abrangente do mundo. A SSN (“Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos”) é uma rede global de radares, telescópios ópticos e sensores espaciais operada pela Força Espacial dos EUA (U.S. Space Force). O objetivo da SSN é detectar, rastrear, catalogar e identificar todos os objetos artificiais em órbita ao redor da Terra. A SSN disponibiliza publicamente sua base de dados, o SATCAT (Satellite Catalog), com tudo o que está em órbita e determina a qual país pertence cada objeto.
Países europeus como França, Alemanha e Itália mantêm suas próprias autoridades, bem como a Rússia, Japão e a China.
O Japão possui o Space Situational Awareness (SSA) uma base de dados que é focado em monitoramento e compilação de dados de órbitas.
A China possui desde 1993 a CNSA (Administração Espacial Nacional da China) uma agência civil que coordena políticas de tráfego espacial e registro de objetos em órbita.
A Roscosmos (Corporação Estatal para Atividades Espaciais) é a agência e corporação espacial oficial da Federação Russa. Foi implantada em 1992, após a dissolução da União Soviética, com sede em Moscou. É responsável por conduzir os programas de cosmonáutica e voos espaciais.
O CNES (Centre National d’Études Spatiales) é a agência espacial da França, fundada em 1961, que atua como pilar do programa da Agência Espacial Europeia (ESA). O CNES e a Agência Espacial Brasileira (AEB) possuem parcerias estratégicas, incluindo o desenvolvimento de uma base de lançamentos de balões estratosféricos em Palmas (TO).
O DLR (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt) é o Centro Aeroespacial Alemão que atua como a agência espacial oficial da Alemanha. Sediado em Colônia gerencia o programa espacial nacional além de realizar pesquisas em outras áreas como aeronáutica, energia, transportes e segurança.
A Agência Espacial Italiana, ASI (Agenzia Spaziale Italiana), fundação em 1988, com sede principal em Roma, é uma instituição pública que coordena a política e a estratégia espacial da Itália. Ela atua em cooperação com a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Americana (NASA), sendo o terceiro maior país contribuinte da Agência Espacial Europeia.
No Brasil a startup Cosmos (Collision Safety Management Orbital System) está desenvolvendo um sistema que gera, em tempo real, alertas de risco de colisão espaciais utilizando informações sobre a posição e a trajetória dos satélites e de detritos procedentes de bancos de dados públicos Two-line Elements (TLE) e o Special Pertubation (SP). Quando estiver operacional a Cosmos poderá ser usada por operadoras nacionais e estrangeiras de satélites.
No âmbito global, todos os países signatários do acordo sobre Registro de Objetos Espaciais, do qual o Brasil participa, devem informar seus lançamentos para o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA, na sigla em inglês, United Nations Office for Outer Space Affairs), para centralização de dados.
Hoje são disponíveis várias plataformas online gratuitas que permitem identificar e acompanhar satélites em tempo real. Conheça algumas:
Heavens-Above site e aplicativo, sem fins lucrativos, dedicado a rastrear e prever a visibilidade de satélites, a Estação Espacial Internacional (ISS), cometas e outros objetos celestes
CelesTrak que possibilita visualizações 3D interativas da órbita da Terra e dados de rastreamento de satélites atualizados constantemente.
N2YO que permite rastrear qualquer satélite em tempo real sobre um mapa-múndi, mostrando a trajetória futura e emitindo alertas de quando ele estará visível na sua região.
Stuff in Space que apresenta um mapa 3D em tempo real que exibe todos os satélites ativos, satélites desativados e detritos espaciais que orbitam a Terra.
Uma animação mostrando a quantidade de satélites na órbita da Terra desde 1958 pode ser vista em https://www.instagram.com/reel/DSDXD4liTkz/
Pensando no avanço espacial, hoje já existe monitoramento da órbita lunar. Atualmente, da ordem de 6 a 8 naves orbitam a Lua, e a NASA mantém um sistema para monitorar trajetórias afim de evitar colisões. Esse controle de trafico espacial, conhecido como Madcapd (Multimission Automated Deepspace Conjunction Assessment Process), foi implantado em 2011, com foco em monitorar as orbitas da Lua e Marte (com 6 satélites artificiais 2 naturais). Em 2020 sua funcionalidade foi ampliada para inspeções no espaço Sol-Terra, o que inclui o Telescópio Espacial James Webb (JWST), o telescópio Euclid (ESA), o observatório Gaia (ESA) e naves em rotas de trânsito Interplanetário além de ameaças externas como orbitas de asteroides.
